Dipirona, vitamina C e logística: as gigantes do e-commerce que não param de crescer
Shopee expande sua logística e Mercado Livre entra no setor farmacêutico, enquanto o Brasil movimenta o cenário do comércio digital global na OMC.
Nesta edição
O Radar CISBRA traz à tona os desafios da maternidade atípica no mercado de trabalho e a importância de ambientes mais flexíveis e inclusivos, enquanto, no cenário nacional, destaca a parceria estratégica entre Brasil e Reino Unido até 2030, os impactos da instabilidade no Oriente Médio sobre commodities e os avanços logísticos e digitais de empresas como Shopee e Mercado Livre. No contexto global, aborda os efeitos ambientais da expansão da inteligência artificial, tensões na OMC sobre tarifas digitais e o fortalecimento das relações comerciais entre América Latina e África. Por fim, a CISBRA reforça seu papel estratégico ao receber uma delegação de Heilongjiang, impulsionando cooperação bilateral, intercâmbio cultural e novas oportunidades de negócios.
Boa leitura!
» Editorial «
Radar CISBRA da semana.
Maternidade atípica e mercado de trabalho: entre desafios invisíveis e a urgência de uma nova cultura corporativa
Falar sobre maternidade atípica no contexto do mercado de trabalho é trazer à tona uma realidade ainda pouco explorada, mas extremamente necessária. Trata-se de mães que cuidam de filhos com necessidades específicas, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), síndromes raras ou outras condições que exigem acompanhamento constante. O maior desafio não está apenas no cuidado, mas na conciliação com um mercado que ainda opera, em grande parte, com estruturas rígidas e pouca flexibilidade.
A rotina dessas mães é marcada por consultas frequentes, terapias, demandas escolares específicas e, principalmente, pela imprevisibilidade. Mesmo assim, muitas seguem tentando se manter ativas profissionalmente. No entanto, a falta de políticas inclusivas, jornadas inflexíveis e a ausência de compreensão por parte de lideranças acabam levando a escolhas difíceis, como abandonar a carreira, reduzir ambições profissionais ou viver em constante sobrecarga. Esse cenário evidencia um problema estrutural que impacta não só essas mulheres, mas também as empresas, que perdem talentos e diversidade.
Por outro lado, organizações que adotam práticas mais flexíveis, como trabalho remoto, horários adaptáveis e apoio à saúde mental, conseguem não apenas reter essas profissionais, mas fortalecer sua cultura organizacional. A maternidade atípica desenvolve habilidades altamente valorizadas, como resiliência, empatia, organização e capacidade de lidar com crises. Incluir essas mães no mercado não é uma concessão, mas um investimento estratégico, que permite conciliar carreira e cuidado com mais equilíbrio, dignidade e reconhecimento.
Por Carina Mello - Gerente Administrativa Financeira CISBRA
» Brasil «
Um giro para ficar por dentro do que está acontecendo no país
Brasil e Reino Unido elevam relação a parceria estratégica até 2030
Brasil e Reino Unido formalizaram uma parceria estratégica para o período 2026–2030, ampliando a cooperação em comércio, investimentos e sustentabilidade. O acordo marca um novo nível na relação bilateral, com fortalecimento do diálogo político, segurança e conexões institucionais, dentro de uma agenda de longo prazo mais estruturada.
No campo econômico, o fluxo comercial já alcança cerca de US$7,8 bilhões, com saldo favorável ao Brasil, enquanto o Reino Unido segue como um dos principais investidores no país. A parceria busca expandir negócios, com foco em transição energética, inovação e cadeias sustentáveis, reforçando oportunidades para o comércio exterior brasileiro.
Guerra no Oriente Médio pressiona commodities e eleva preços de soja e açúcar no Brasil
A escalada do conflito no Oriente Médio tem impulsionado os preços internacionais de commodities agrícolas, refletindo diretamente no mercado brasileiro. A instabilidade geopolítica afeta rotas logísticas, energia e insumos, elevando custos e gerando valorização de produtos como soja e açúcar no cenário global.
No agro brasileiro, o impacto é duplo, enquanto o aumento dos preços pode favorecer receitas de exportação, a alta do petróleo e de fertilizantes pressiona os custos de produção e logística. O resultado é um ambiente mais volátil, com ganhos pontuais para exportadores, mas maior risco e incerteza para toda a cadeia do comércio exterior.
Shopee aposta em megaestrutura logística e acelera corrida por entregas no Brasil
A Shopee fechou a maior locação de galpões logísticos já registrada no Brasil, com cerca de 220 mil m² em Guarulhos, reforçando sua estratégia para liderar as entregas rápidas no e-commerce. O movimento evidencia o aquecimento do setor logístico, impulsionado pela demanda crescente do comércio eletrônico e pela busca por escala operacional.
Nesse cenário, o investimento amplia a capacidade de armazenagem e distribuição, reduz prazos de entrega e aumenta a eficiência logística, fatores-chave na competitividade do varejo digital. A operação também sinaliza uma tendência clara no comércio exterior e no varejo: uma infraestrutura logística robusta se consolida como diferencial decisivo, com impacto direto em custos, velocidade e expansão de mercado.
Mercado Livre testa venda de medicamentos e avança no setor farmacêutico
O Mercado Livre iniciou um projeto piloto para venda de medicamentos no Brasil, começando por São Paulo e focado inicialmente em itens sem prescrição, como analgésicos, antigripais e vitaminas. A proposta combina conveniência e rapidez, com entregas em poucas horas e integração com farmácias parceiras, além de suporte de farmacêuticos para orientar o consumidor, o que reforça a credibilidade da operação dentro de um setor altamente regulado.
Este movimento representa a entrada da empresa em um mercado grande, recorrente e ainda em processo de digitalização. Ao integrar medicamentos ao seu ecossistema, o Mercado Livre amplia o ticket médio, aumenta a frequência de compras e fortalece sua logística, que é essencial tanto para o varejo quanto para o comércio exterior. A iniciativa também intensifica a concorrência com redes tradicionais de farmácia e outras plataformas digitais, sinalizando uma tendência de convergência entre e-commerce, saúde e serviços, com potencial de transformar a forma como medicamentos são distribuídos e consumidos no Brasil.
» Mundo «
Você bem informado sobre o mercado global
Centros de dados de IA criam ilhas de calor e acendem alerta ambiental global
A expansão dos centros de dados que sustentam a inteligência artificial está aquecendo as regiões ao seu redor. Essas estruturas podem elevar a temperatura da superfície em cerca de 1,8 °C, com picos de até 9,1 °C em áreas num raio de até 10 km.
O fenômeno já foi identificado em mais de 6 mil instalações ao longo de 20 anos e hoje impacta aproximadamente 340 milhões de pessoas, evidenciando que seus efeitos ultrapassam os limites físicos dessas operações e alteram o clima local.
Sob a ótica global, o avanço acelerado da IA passa a pressionar a agenda de sustentabilidade, o calor gerado por servidores e sistemas de resfriamento se soma às dinâmicas das mudanças climáticas e amplia a urgência por soluções mais eficientes em energia e refrigeração, com implicações diretas para o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida.
Impasse na OMC trava acordo sobre tarifas digitais e expõe tensão no comércio global
As negociações na Organização Mundial do Comércio terminaram em impasse após o Brasil bloquear a prorrogação da moratória sobre tarifas aduaneiras aplicadas a transmissões eletrônicas. Em vigor desde 1998, essa regra impede a cobrança de tarifa de importação sobre produtos e serviços digitais transmitidos via internet, como streaming, softwares e downloads, funcionando como uma suspensão temporária que precisa ser renovada periodicamente.
O desacordo ocorreu por divergências sobre o prazo da renovação. Os Estados Unidos defendiam uma extensão mais longa, enquanto o Brasil propôs um período mais curto e flexível. Sem consenso, a moratória pode perder validade, o que abre espaço para que países passem a aplicar tarifas sobre transmissões eletrônicas e serviços digitais. Na prática, isso tende a aumentar custos para empresas, gerar repasse ao consumidor e reduzir a previsibilidade nas operações internacionais. Ao mesmo tempo, o episódio expõe as divergências entre economias desenvolvidas e emergentes e reforça as dificuldades de coordenação em um comércio global cada vez mais fragmentado.
Comércio entre América Latina e África ganha força e abre novas rotas logísticas
O comércio entre América Latina e África vem ganhando relevância como alternativa estratégica diante de crises e gargalos nas rotas tradicionais do comércio global. O movimento reflete uma busca por diversificação de mercados e maior resiliência nas cadeias de suprimento, impulsionando a criação de novas conexões marítimas e logísticas entre as regiões.
Sob a perspectiva estratégica, a intensificação dessas trocas comerciais estimula investimentos em infraestrutura e corredores logísticos, reduzindo custos e ampliando a competitividade entre países do Sul Global. A tendência Os números apontam para uma integração mais direta entre os continentes, fortalecendo o comércio exterior e abrindo novas oportunidades para exportações, especialmente em setores como agro, energia e commodities.
» Agenda CISBRA «
Saiba mais sobre os eventos e movimentos que a CISBRA promove ou apoia
CISBRA recebe visita da Delegação de Heilongjiang
A CISBRA recebeu, no Rio de Janeiro, uma delegação oficial da Província de Heilongjiang, liderada pelo Vice-Secretário-Geral Yin Yantao, em um encontro voltado ao fortalecimento das relações institucionais e à identificação de oportunidades de cooperação entre Brasil e China. A reunião proporcionou uma visão estratégica sobre o potencial econômico da província e abriu espaço para novos negócios.
Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de investimentos em setores como energias renováveis, infraestrutura, petróleo e gás e mais, com foco em iniciativas de benefício mútuo e expansão internacional. A agenda também cria perspectivas para que empresas conectadas à CISBRA, membros AXIS, acessem essas oportunidades, reforçando o papel da Câmara como ponte estratégica para o comércio exterior.
Obrigado pela leitura e até semana que vem!
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